segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O NOME

O NOME
                          Rubem Alves
    

     Meu amigo Amilcar Herrera é um homem sábio. Isso é surpreendente, considerando-se que ele é um cientista. O fato é que ciência e sabedoria são coisas muito diferentes. Ciência é conhecimento do mundo. Sabedoria é conhecimento da vida. A exuberância do conhecimento científico vai, frequentemente, lado a lado com uma total penúria de sabedoria. Nisso o conhecimento científico pode ficar parecido com aquela praga conhecida pelo nome de “erva-de-passarinho”, uma parasita terrível que se aloja nos troncos das árvores e, à medida que cresce, a árvore morre. Estou cansado de ver Ph.Ds tolos.
     Uma das características das palavras do sábio é que elas sempre nos surpreendem. Guimarães Rosa cita um intrigante aforismo que diz assim: “Aquilo que vou saber sem saber eu já sabia”. Mas não sabia. Sabia sem palavras. Aí o sábio abre a boca e a gente se surpreende por ouvir dito aquilo que já morava adormecido no silêncio do corpo. O  Amílcar falou e eu me surpreendi. Ele me disse:


Rubem, eu tenho um sonho. Sonho que um dia qualquer eu vou acordar e vou ter esquecido o meu nome. Quem sou eu? – eu vou me perguntar. E eu não saberei o que responder. Não terei memória do meu nome. O ruim é quando a gente esquece o nome, mas os outros continuam a saber quem somos. Aí os psiquiatras dizem que tivemos um ataque de amnésia. E tratam de nos curar, de fazer-nos lembrar o nome para que saibamos quem somos. O nome é uma gaiola onde o que somo mora. Declaram-nos curados quando o nosso ser aparece de novo dentro da gente. Aí eles teriam perdido a memória da gaiola que prendia o nosso ser. E o nosso ser transformaria em pássaro e voaria livre por espaços por onde nunca havia voado. O nome é uma prisão. 


 É preciso confessar que não foram essas, precisamente, as palavras do Amílcar. Faz muito tempo que tivemos essa conversa. Mas foram essas as associações que sua declaração provocou em mim. E isso que ele falou, coisa na qual eu nunca havia pensado, foi para mim uma revelação. Vi repentinamente, o que eu nunca tinha visto. É isso mesmo. Nomes são gaiolas. Neles se guardam as coisas que fizemos. Existem até os currículos, gaiolas que já fizemos. Aí, com base naquilo que já fizemos, as pessoas e nós mesmos imaginamos aquilo que se pode esperar da gente.
     Peirce, lógico respeitável, no seu ensaio sobre “Como tornar claras as nossas idéias”, oferece-nos a seguinte fórmula para nos ajudar a ter clareza sobre a natureza de um objeto qualquer: “Considere quais os efeitos práticos que imaginamos que esse objeto possa ter. Então, a soma desses efeitos é o que é o nosso conceito desse objeto”. Exemplificando: o objeto “galinha” – que efeitos práticos, em nosso pensamento, são invocados por esse nome? Respondo: cacarejo, ninho, ovo, cocô, ciscar na terra, molho pardo, canja etc. Esses efeitos práticos, somados, são aquilo que, na minha cabeça, está contido dentro do nome “galinha”. Aí eu pergunto: “Como foi que cheguei a associar esses efeitos práticos ao nome galinha?”. Resposta: “Pela minha experiência passada com essa entidade penosa cacarejante”.O nome, assim, é um saco onde se deposita a experiência passada. E é baseado nessa experiência que se conclui sobre o que esperar no futuro. Ninguém vai imaginar que uma galinha vai contar como pintassilgo, nem que vai botar ovos azuis, nem que vai fazer ninhos parecidos com os dos beija-flores. Galinha e galinha, para todo o sempre. Está dito no nome.
     Isso que foi dito sobre a galinha vale para tudo. Para as pessoas também. Quando o meu nome é pronunciado, eu sou imediatamente informado do que fiz no passado. E, ao ser informado, pelo som enfeitiçador do meu nome, daquilo que se fiz no passado, sou também informado do meu ser e daquilo que se espera de mim no futuro. O nome, assim, obriga-me a ser de um jeito que se espera. O nome contém o programa do meu ser.

     O Amilcar sabia das coisas. Imagino que aquela confissão – “Sonho que, um dia qualquer, eu vou acordar e vou ter esquecido o meu nome...” -, imagino que essa confissão nasceu de uma dor, a mesma dor que Álvaro de Campos colocou num verso: “Sou o intervalo entre o que desejo ser e o que os outros me fizeram”. Ele acorda numa manhã, com vontade sei lá de quê ´há pessoas cuja presença numa feira ou numa igreja é impensável, não combina; o lindo cirurgião de roupa branca, ele é impensável numa feira, comprando cebolas, de bermudas e sandálias, e também não se pode imaginar que o professor de economia ateu confesso ponha-se a chamar por Santa Bárbara no meio da tempestade de raios (sobre as invocações a Santa bárbara vale ser o Alberto Caeiro). Pois imagino que o Amilcar acordou com um desejo estranho qualquer, não previsto no seu nome, desejo que nunca tivera, ou que sempre tivera, mas cujo reconhecimento fora sempre proibido pelo seu nome. Mas logo veio a interdição: “Essa ação não é permitida pelo nome Amílcar Herrera. Essa ação não está prevista no programa Amílcar Herrera”.

     Compreendi, então, o curioso costume de um povo primitivo que sempre dá dois nomes às pessoas. O primeiro deles é o nome igual ao nosso, anunciado, falado, escrito, conhecido, a gente grita o nome e a pessoa responde, o nome é falado e todo mundo sabe sobe quem estamos falando. O outro nome só a própria pessoa sabe. O primeiro nome é nome falso, apenas para efeitos práticos, uma mentira socialmente necessária. O outro nome, secreto, é o lugar onde mora o meu ser verdadeiro, que é muito diferente do outro. Assim, por meio desse artifício, todo mundo sabe que ninguém está preso dentro de uma gaiola de sons, que não se pode exigir que a pessoa seja, no futuro, aquilo que foi guardado no saco do nome, no passado. Cada pessoa tem, dentro de se, um segredo, um mistério. Cada burrinho pedrês tem, dentro de si, um cavalo selvagem. Cada pato doméstico te, dentro de si, um ganso selvagem. Cada velho tem, dentro de si, uma criança que deseja brincar.
     Acho que era isso que o Amílcar estava dizendo:

     Se eu esquecer o meu nome e se os outros não exigirem que eu continue a ser o que sempre fui, então alguma coisa nova poderá nascer da velha: uma fonte no deserto. Afinal de contas, esta é a suprema promessa do evangelho: que os velhos nascerão de novo e virarão crianças.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ANDY WARHOL - O GÊNIO DA "POP ART"

"No futuro, qualquer um será famoso por quinze minutos"

Andy warohl



        
      Registrado como Andrew Warhola, ingressou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, aos 17 anos, em 1945, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design. Após a formatura, se mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker.


 Sua primeira mostra individual foi em 1952, na Hugo Gallery, exibindo 15 desenhos baseados na obra do escritor Truman Capote. Esses trabalhos foram expostos em diversos lugares, como o Museu de Arte Moderna (Moma).


     Os anos de 1960 marcam uma guinada na sua carreira de artista plástico e ele passa a se utilizar dos conceitos da publicidade em suas obras, com o uso de cores fortes e brilhantes e tintas acrílicas. Reinventa a Pop Art com a reprodução mecânica de temas do cotidiano, como as reproduções das latas de sopas Campbell e a garrafa de Coca-Cola, além de rostos de figuras conhecidas como Marilyn Monroe.
    
     A partir da segunda metade da década de 1960, Warhol passou a militar em outras áreas que incluem a música e o cinema, filmando, inicialmente, em 16 mm e depois em Super 8 mm. Seus filmes undergrounds são hoje clássicos do gênero e, entre eles, se destacam Chelsea Girls, Empire e Blow Job (1964). Na música, através do grupo de rock underground Velvet Underground, já nos anos 1970, ajudou a agitar e difundir a cena do glitter rock, originária de Londres.
     Warhol cunhou a famosa e profética frase, hoje amplamente divulgada: "No futuro qualquer um será famoso por quinze minutos”.
     Entre outros trabalhos nas artes plásticas, Warhol criou uma série de figuras: o rosto de Mao Tse Tung (1982), com uma dezena de variações em cores berrantes, variações sobre foice e martelo (Hammer and Sickle, 1977), variações sobre o crânio humano (Skulls, 1976), Torso (1982), variações sobre a sombra (Shadows, 1979) e dezenas de retratos de personalidades judaicas, como Freud, Einstein, Kafka, Gershwin, Gertrude Stein, além de auto-retratos.

     Na década de 1980, aproximou-se da TV a cabo e cria Andy Warhol's TV e Andy Warhol's Fifteen Minutes, para MTV. Foi nessa época que colaborou intensamente com Jean-Michel Basquiat, jovem e promissor artista que ele promoveu e ajudou a se firmar no universo das artes plásticas novaiorquinas.

     Em janeiro de 1987, internou-se no New York Hospital para exames e teve que submeter a uma cirurgia de vesícula, considerada rotineira. Durante o pós-operatório teve uma arritmia cardíaca e faleceu aos 59 anos de idade. Em 1994 foi inaugurado o The Andy Warhol Museum em Pittsburgh, Pensilvânia.



EXPOSIÇÃO "TV WARHOL" ESTÁ ABERTA NO RIO DE JANEIRO

Clique na imagem e dê uma olhadinha!!!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

AS TRIBOS DO OMO


As Tribos do Rio Omo - África

     Hans lançou um livro chamado "O povo de OMO".
     As tribos de Sylvester, fotografo alemão, fotografou durante seis anos, as tribos de Surma e Mursi e lanfinida em três palavras: os dedos, a velocidade e a liberdade.
     Aos seus Rio Omo, nos confins da Etiópia, são gênios de uma arte ancestral. Eles têm o dom da pintura, e o seu corpo é uma imensa tela. o, sobre um triângulo EtiópiaA força da sua arte é depés, o rio Om-Sudão-Quênia, o grande vale do Rift que separa lentamente a África, uma região vulcânica que fornece uma imensa paleta de pigmentos, ocre vermelho, caulim branco, verde revestido, amarelo luminoso ou cinzento das cinzas que na ponta dos dedos deles se transforma em pura arte.
     Desenham com as mãos abertas, da extremidade das unhas, às vezes com uma extremidade de madeiras, cobrem-se de colmo, um caule esmagado. Desenham circulos, linhas, pintas, flores e zig-zags.
     Apenas o desejo de decorar, para encantar e ser bonito, um jogo e um prazer permanente. Eles simplesmente mergulham seus dedos na argila e em dois minutos, tronco, peitos, pêlos pubianos, pernas, não faz nada menos do que nascer um Miró, Picasso, Pollock, um Tápies, um Klee...
    Hans Silvester dedicou-se ao longo de sua vida, investigar nosso mundo, captando e promovendo os mais íntimos e, talvez, enigmáticos fenômenos biológicos. Tem levado o artista nascido na Alemanha, a um certo número de carreiras, incluindo incursões no jornalismo, ativismo, filantropia e ambientais.          Nascido em Lörrach, Alemanha, em 1938, Silvester se formou na Escola de Friburgo, em 1955, antes de começar sua vida como um viajante e fotógrafo.            
     Seus trabalhos tem sido exibido em Marlborough Gallery, em Nova York (2010, 2009), Galeria Marlborough, Monaco (2010, 2009), e Polka Galerie, Paris, França (2009), E é  tema de quase 50 livros, incluindo um ensaio fotográfico em Camargue, em 1960, uma documentação bem considerado de natureza da Europa em 1982 e preserva uma série de livros sobre Provence publicados ao longo da década de 1990. Seu livro mais recente é a Natural Fashion: Tribal Decoration da África (New York: Thames and Hudson, 2008).





           


































The End

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

GRUPO GALPÃO - UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

                             DE MINAS PARA O MUNDO
 Clique na imagem e acesse o site do grupo

     O Grupo Galpão é uma companhia de teatro de pesquisa criado há 27 anos. Montando espetáculos de grande comunicação com o público, a companhia tem sua origem ligada ao teatro popular e de rua.
Sediado na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, o Galpão é um dos grupos que mais viaja, não só pelo Brasil, como também pelo exterior, tendo participado de vários festivais em dezessete países da América Latina, América do Norte e Europa.
Grupo de atores que trabalha com diretores convidados, o Galpão desenvolve pesquisas com vários elementos cênicos, com destaque para as linguagens do circo e da música (sempre tocada ao vivo pelos próprios atores), traduzindo para uma linguagem brasileira vários clássicos, numa fusão do erudito e do popular.




Clique na imagem e abra as caixas de madeiras
onde está a tragetória do grupo
 Em 2007, o Galpão completou vinte e cinco anos de atividade teatral ininterrupta. Nesse um quarto de século, foram muitas conquistas – o grupo firmou-se como uma referência do teatro no Brasil.
Desenvolvendo um teatro de pesquisa, o Galpão se constitui como um grupo de atores que convida diferentes diretores para suas montagens. Sua linguagem de trabalho é resultado dessa série de encontros com diretores como Fernando Linares, Paulinho Polika, Eid Ribeiro, Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Paulo José, Ulisses Cruz, Paulo de Moraes e tantos outros.
Os encontros com grupos e movimentos teatrais espalhados pelos quatro cantos do país, também foram fundamentais para a formação do jeito de ser do Galpão. Desde a sua formação, o Galpão sempre buscou as raízes de um teatro popular e de rua. Hoje, é um dos grupos que mais circula pelo país conseguindo chegar a todas as regiões do norte até o sul do Brasil, além de ter se apresentado em 17 países da Europa, EUA, Canadá e América Latina.




     O Galpão Cine Horto é o Centro Cultural fundado e dirigido pelo Grupo Galpão, em Belo Horizonte/MG. Inaugurado em março de 1998, o local transformou-se em um importante espaço para a realização de atividades artísticas. Possui um Teatro Multimeios para 250 lugares, um cinema com 80 lugares, três salas de aula, bar e camarins.
Voltado para a pesquisa, a formação e o estímulo à criação teatral, em todos os projetos que realiza está sempre em evidência a possibilidade de unir e reunir pessoas em torno do teatro.
Atualmente, o Galpão Cine Horto oferece cursos e oficinas de formação artística, ministrados por professores selecionados pelo Galpão, além do Oficinão – oficina gratuita voltada para a reciclagem de atores profissionais.



Clique na imagem para ver fotos de todos os espetáculos
 
A mais recente produção:

Till – A saga de um herói torto

    
     Um dia, na eternidade, o Demônio aposta com Deus que se tirasse do homem algumas qualidades, ele cairia em perdição. Deus, aceitando o desafio, resolve trazer ao mundo a alma de Till. Vivendo em uma Alemanha miserável, povoada de personagens grotescos e espertalhões, logo de início nosso protagonista é abandonado em meio ao frio e a fome e descobre que a única maneira de sobreviver naquele lugar é se tornar ainda mais esperto e enganador. Assim começa sua saga cheia de presepadas e velhacarias.Criado pela cultura popular alemã da Idade Média, Till é o típico anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme. Um personagem que tem parentesco com outros tipos de várias culturas, por exemplo, que se assemelha muito ao nosso Macunaíma ou ao ibérico Pedro Malasartes.   Além de Till e uma infinidade de rústicos personagens medievais, a peça conta também a história de três cegos andarilhos que buscam a redenção, sonhando alcançar as torres de Jerusalém e salvar o Santo Sepulcro das mãos dos infiéis.Num mundo em que é cada vez mais marcante a presença dos excluídos e dos desprovidos de qualquer suporte material, a parábola das aventuras do anti-herói Till Eulenspiegel torna-se de uma atualidade inquietante.

                             

Elenco:


Clique na imagem e veja mais fotos do espetáculo

O ESPETÁCULO ROMEU E JULIETA

      Este espetáculo eu o assisti no Parque Municipal de Belo Horizonte, em meados de 1997, 1998 não sei bem ao certo.
     Ao final, chovia fino, e ninguém arredou pé. Abriu-se guarda-chuvas daqui e dali, chegava-se pra lá e pra ca, mas vimos até o final.
Um dos espetáculo mais emocionante que já assisti, de um sutil humor, contagiante. Uma obra prima.



     Ao atualizar o sentido da mais conhecida história de amor da humanidade, a concepção de Gabriel Villela para o Galpão transpôs a tragédia dos dois jovens apaixonados para o contexto da cultura popular brasileira. Esse conceito sustenta todo o espetáculo, especialmente na figura do narrador, que rege toda a ação com uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa e no sertão mineiro.
     A montagem da tragédia de Shakespeare foi um marco na carreira do grupo. O encontro com Gabriel Villela significou a ousadia de fazer um clássico na rua. Ao texto original do espetáculo, na clássica tradução de Onestaldo de Pennaforte, juntam-se elementos da cultura popular brasileira e mineira, presente nas serestas e modinhas, nos adereços e figurinos que remetem ao interior profundo do Brasil.

     Desde sua estréia na histórica cidade de Ouro Preto, em 1992, "Romeu & Julieta" construiu uma carreira de sucesso de público e crítica, no país e no exterior. Visto duzentas e setenta e duas vezes, em quase sessenta cidades brasileiras e em nove países estrangeiros - Espanha, Inglaterra, Portugal, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Uruguai, Venezuela e Colômbia - em teatros, estádios ou, preferencialmente, em praças públicas, por platéias oscilando entre trezentos e quatro mil espectadores. Em julho do ano de 2000, coroou sua trajetória com uma série de apresentações em Londres, no palco do Shakespeare’s Globe Theatre, onde recebeu uma consagradora acolhida do público inglês.










segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MONÓLOGO - CECÍLIA MEIRELES

     Li este texto pela primeira vez em 1982, quando comprei um livro na banca de revistas. Dentre outros poemas e textos e da biografia de Cecília, neste livro havia um texto que me chamou mais atenção!. Impressionou-me a forma da narrativa envolvente e a capacidade que Cecília tem de poetizar fatos corriqueiros cotidianos, como: “...Mas é uma coisa ridícula (Oh! As ridículas coisas necessárias...)”; o humor negro de: “...É tão desagradável ter de alterar o programa dos nossos amigos, por precisarmos morrer!...”, dentre outros.
     Poucas pessoas conhecem este texto. Em pesquisa na internet não o encontrei, somente achei um  poema de mesmo nome.
     Digitei-o e agora compartilho com você.

     Segundo o crítico Darcy Damasceno, Monólogo foi publicado em 1946, na revista carioca Letras e Artes, constituindo uma das raríssimas peças de Cecília a que poderíamos chamar de conto. Esta pequena narrativa poderia se encaixar  no gênero policial, graças ao efeito de suspense criado pelo narrador. A própria vítima relata sua experiência, utilizando a primeira pessoa verbal.

MONÓLOGO
Cecília Meireles
    
     Quem é capaz de imaginar que o pó branco de um saco de papel, em cima da mesa da cozinha, não seja açúcar ou sal? Naturalmente, provei. Tinha um sabor acre e pegajoso. Pensei: deve ser algum desses adubos químicos que o Antônio traz para as beterrabas. Não consigo lembrar se cuspi ou engoli. Devo ter engolido. Fiquei com uma sensação adstringente na garganta. Mas não me incomodei. Andei cortando rosas. Fui ver o poço debaixo das laranjeiras. Não sentia nada. Passei mesmo um dia delicioso. Como é possível que aquilo fosse arsênico? Como é possível imaginar que se deixe um pacote de arsênico na mesa da cozinha? Nem me ocorreu que existisse no mundo arsênico em tanta quantidade. E que população de ratos há na granja para se ter de usar veneno aos quilos?
     De modo que estou envenenada. Antônio me disse, lívido, mas sem rodeios: “É um veneno terrível. Como é que você está viva?” E já me olhava como se estivesse falando com o meu fantasma. Talvez eu não esteja viva. Quem sabe? Antônio saiu no automóvel como um louco e terá de ir à cidade.procurar algum médico, algum farmacêutico. Antônio sente-se culpado. Se morro mesmo, vão pensar que fui envenenada propositadamente por meu marido. Ou vão supor que me suicidei por algum desgosto oculto. Preciso fazer já uma declaração: “Envenenei-me por engano, provando arsênico dos ratos”. Mas é uma coisa ridícula (oh! As ridículas coisas necessárias...).
     Procuro – e não estou sentido nada. São seis horas. Isso foi pela manhã. Como é possível estar-se morrendo há tanto tempo sem se saber? É verdade que estamos morrendo todos os dias, insensivelmente.. Talvez o bem estar do dia de hoje fosse já um efeito do envenenamento. Achei as rosas mais belas do que nunca, tão perfumadas que me estonteavam. Talvez fosse, da minha parte, uma excessiva excitação sensorial...
     Haverá no meu rosto algum indício? Não estarão as minhas pupilas grandes demais? Este brilho dos meus olhos não é o vidrado da morte? Não estão ficando frias as minhas mãos? Como será que se morre envenenado com arsênico? É preciso que eu sinta alguma coisa, uma vez que estou morrendo! Esta aflição no estômago deve ser plexo solar*. Não estarei apenas nervosa? Como é possível morrer-se tão sem dor? Então é assim que morrem os ratos? E como é possível que uma pitada de pó, uma pitada tão leve que mal lhe senti o gosto, possa pôr termo a uma vida, a um  corpo, a uma imaginação, a um mundo de sentimentos e pensamentos? Mas o Antônio disse que era um “veneno terrível”. Antônio estava quase morto só de olhar para mim. Devo, pois, estar envenenada.
     Mas há os contravenenos. Quais? Não sei. Onde está o Livro de ouro das famílias? Arreios, arroto, arsênico... Arsênico. Devo comer papas de mostarda, e beber azeiite, depois. Podia ser uma coisa mais fácil: água de sabão, clara de ovo... Mas logo papas de mostarda! Não há remédios, pois. Esperemos a morte.
     Agora começo a sentir lentamente a friagem subindo das mãos e dos pés. Decerto, quando chegar ao coração, terei deixado de existir. Sinto também uma cãibra tão grande nas pernas que se me quiser levantar já não poderei ficar de pé. E Antônio tão longe! O farmacêutico deve estar mexendo as papas de mostarda na sua cozinha, com um livro aberto na frente, como um sábio da Idade Média.  Mas tem de interromper as papas de vez em quando porque chega um menino e pede “duzentos réis de folha de malva!” Chega uma velhinha e implora: “O senhor tem remédio pra dor de ouvido?” E há um com reumatismo, e outro com um furúnculo.
     E justamente agora que tínhamos conseguido a granja, as flores e que tinha sido colocado o último tapete! E logo hoje,  quando tudo parecia mais calmo do que nunca! As roseiras em flor. A roldana do poço funcionando tão bem! As primeiras frutas deste ano aparecendo. Depois de amanhã é sábado, teríamos amigos para jantar. É tão desagradável ter de alterar o programa dos nossos amigos, por precisarmos morrer! Por termos de morrer contra a vontade, inesperada, imprevistamente!
     Nunca ninguém morreu assim (e estou ficando cada vez mais fria! E não me posso levantar daqui! E sei da gaveta – que perfumei com tanto cuidado! – onde está o meu suave, frouxo, mas quentíssimo cobertor!) E agora custa-me respirar. E Antônio não chega! E pra que chegar? Seria melhor que não me visse mais viva, que eu morresse enquanto está longe. Deve-se morrer sozinho – para que nos hão de ver morrer?
     Preciso apenas deixar qualquer coisa escrita. Mas talvez nem possa mover os dedos. As minhas mãos já não são minhas. Eu já não sou eu. E no entanto vejo tudo tão claro! E as papas de mostarda demoram muito, e Antônio está suando frio, do balcão para a porta, da porta para o balcão. O relógio vai e vem, vai e vem... E nos anúncios estão sorrindo as moças dos grampos americanos, as moças de papel – as felizes que nunca serão envenenadas por nenhum veneno!
     Também as moças de papel nunca terão sentido todas as coisas de que é feita a vida humana. Coisas tão enigmáticas como esta que me aconteceu. Esta é um enigma grande, que todos vêm, que todos comentarão, perguntando uns para os outros, daqui a pouco, amanhã de manhã, quando me virem morta: “Que estranho jogo de acasos paira sobre cada criatura!”
     Não passa pela minha cabeça nenhuma neblina. Lembro-me de tudo que fiz, de tudo que me foi feito. Começo a lembrar-me de tantas coisas, que o meu gosto de viver desfalece como o corpo. Ai de nós, se temporariamente não esquecêssemos! – Morreríamos só de lembranças... Estou vendo pessoas. Estou escutando palavras que foram dita há muitos anos, e se conservaram na atmosfera da memória, intactas, como quando apareceram. Estou vendo pessoas! – Ah, mas existem os campos vazios, as rosas e os cavalos, e o mar desabitado, que apagam, extinguem, cortam para sempre todos os rastros humanos! O que a memória ainda conserva suspenso, não tem mais nada conosco. Deve ser como as peças de museu: para instrução da  vida.
     Estou vendo grandes vitrinas. Eu mesma estou dentro delas, de vez em quando. Já não teria mais esses olhos, Já não choraria mais assim. Já não teria força para carregar tanta coisa em meus braços, em meus ombros, no meu coração. Disseram ao patinho branco: “Tu não és dos nossos. Que vens fazer aqui, espião, intruso, bicho de outra lei? Não queremos nem uma pena tua no nosso rancho”. E bicaram-no todo até sangrar.
     Arcanjo são Miguel, não quero colocar na sua balança nada disso, nada disso...Lembro-me apenas de ter salvo, há dezenas de anos, num fio de palha, uma formiga que se afogava... Mas não se ocupe comigo, Arcanjo são Miguel... Deve haver tanta gente, a esta hora, debatendo-se, rogando e rangendo os dentes... E estou tão calma...




*Plexo Solar: Também chamado cérebro abdominal, para os orientais, cuja filosofia tanto atraiu Cecília. O plexo solar seria o lugar do corpo gerador de energia vital.
308 LIVROS E MAIS, GRATUITAMENTE DISPONÍVEIS NESTE PORTAL, CONFIRA!
Clique na imagem e acesse o Portal
"O acervo disponível para consulta neste endereço eletrônico (http://www.dominiopublico.gov.br) é composto, em sua grande maioria, por obras que se encontram em domínio público ou obras que contam com a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais pendentes.
A recente alteração trazida na legislação que trata de direitos autorais do Brasil (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998; que revogou a Lei nº 5.988, de 14 de dezembro de 1973), que alterou os prazos de vigência dos direitos autorais; bem como as diferentes legislações que regem os direitos autorais de outros países; trazem algumas dificuldades na
verificação do prazo preciso para que uma determinada obra seja considerada em domínio público. O portal Domínio Público tem envidado esforços para que nenhum direito autoral seja violado. Contudo, caso seja encontrado algum arquivo que, por qualquer motivo, esteja violando direitos autorais de tradução, versão, exibição, reprodução ou quaisquer outros,
clique aqui e informe a equipe do portal Domínio Público para que a situação seja imediatamente regularizada".
     Além de vários temas para pesquisa, contém também: vídeos, poemas, hinos brasileiros, literatura infantil, pesquisa teses e dissertações etc.
     Abaixo uma lista de 308 livros totalmente gratuitos no portal:

Dante Alighiere

 1.        A Divina Comédia -Dante Alighieri
2.         
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3.         
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4.         
Dom Casmurro -Machado de Assis
5.         
Cancioneiro -Fernando Pessoa
6.          
Romeu e Julieta -William Shakespeare
7.          
A Cartomante -Machado de Assis
8.          
Mensagem -Fernando Pessoa
9.         
A Carteira -Machado de Assis
10.        
A Megera Domada -William Shakespeare
11.        
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12.        
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13.        
O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14.        
Dom Casmurro -Machado de Assis
15.        
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16.        
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17.        
Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18.        
A Carta -Pero Vaz de Caminha
19.        
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20.        
Macbeth -William Shakespeare
21.        
Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22.        
A Tempestade -William Shakespeare
23.        
O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24.        
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25.        
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26.        
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27.        
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28.        
O Mercador de Veneza -William Shakespeare 29.        A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
30.        
Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
31.        
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32.        
A Mão e a Luva -Machado de Assis
33.        
Arte Poética -Aristóteles
34.        
Conto de Inverno -William Shakespeare
35.        
Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
36.        
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
37.        
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
38.        
A Metamorfose -Franz Kafka
39.        
A Cartomante -Machado de Assis
40.        
Rei Lear -William Shakespeare
41.        
A Causa Secreta -Machado de Assis
42.        
Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
43.        
Muito Barulho Por Nada
-William Shakespeare
44.        
Júlio César
-William Shakespeare
45.        
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46.        
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
47.        
Cancioneiro -Fernando Pessoa
48.        
Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público
 - Fundação Biblioteca Nacional
49.        
A Ela -Machado de Assis
50.        
O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
51.        
Dom Casmurro -Machado de Assis
52.        
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
53.        
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
54.        
Adão e Eva -Machado de Assis
55.        
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
56.        
A Chinela Turca -Machado de Assis
57.        
As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
58.        
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
59.        
As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
60.        
Iracema -José de Alencar
61.        
A Mão e a Luva -Machado de Assis
62.        
Ricardo III -William Shakespeare
63.        
O Alienista -Machado de Assis

64.        Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
65.        
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
66.        
A Carteira -Machado de Assis
67.        
Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
68.        
Senhora -José de Alencar
69.        
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
70.        
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
71.        
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
72.        
Sonetos -Luís Vaz de Camões
73.        
Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
74.        
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
75.        
Iracema -José de Alencar
76.        
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
77.        
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78.        
O Guarani -José de Alencar
79.        
A Mulher de Preto -Machado de Assis
80.        
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
81.        
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
82.        
A Pianista -Machado de Assis
83.        
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
84.        
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
85.        
A Herança -Machado de Assis
86.        
A chave -Machado de Assis
87.        
Eu -Augusto dos Anjos
88.        
As Primaveras -Casimiro de Abreu
89.        
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
90.        
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
91.        
Quincas Borba -Machado de Assis
92.        
A Segunda Vida -Machado de Assis
93.        
Os Sertões -Euclides da Cunha
94.        
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
95.        
O Alienista -Machado de Assis
96.        
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
97.        
Medida Por Medida -William Shakespeare
98.        
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
99.        
A Alma do Lázaro -José de Alencar
100.        
A Vida Eterna -Machado de Assis
101.        
A Causa Secreta -Machado de Assis
102.        
14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
103.        
Divina Comedia -Dante Alighieri
104.        
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
105.        
Coriolano -William Shakespeare
106.        
Astúcias de Marido -Machado de Assis
107.        
Senhora -José de Alencar
108.        
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
109.        
Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110.        
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
111.        
A 'Não-me-toques'! -Artur Azevedo
112.        
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
113.        
Obras Seletas -Rui Barbosa
114.        
A Mão e a Luva -Machado de Assis
115.        
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
116.        
Aurora sem Dia -Machado de Assis
117.        
Édipo-Rei -Sófocles
118.        
O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119.        
Pai Contra Mãe -Machado de Assis
120.        
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
121.        
Tito Andrônico -William Shakespeare
122.        
Adão e Eva -Machado de Assis
123.        
Os Sertões -Euclides da Cunha
124.        
Esaú e Jacó -Machado de Assis
125.        
Don Quixote -Miguel de Cervantes
126.        
Camões -Joaquim Nabuco
127.        
Antes que Cases -Machado de Assis
128.        
A melhor das noivas -Machado de Assis
129.        
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
130.        
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
131.        
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
132.        
Helena -Machado de Assis
133.        
Contos -José Maria Eça de Queirós
134.        
A Sereníssima República -Machado de Assis
135.        
Iliada -Homero
136.        
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
137.        
A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
138.        
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
139.        
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
140.        
Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
141.        
Anedota Pecuniária -Machado de Assis
142.        
A Carne -Júlio Ribeiro
143.        
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
144.        
Don Quijote -Miguel de Cervantes
145.        
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
146.        
A Semana -Machado de Assis
147.        
A viúva Sobral -Machado de Assis
148.        
A Princesa de Babilônia -Voltaire
149.        
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
150.        
Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
151.        
Papéis Avulsos -Machado de Assis
152.        
Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
153.        
Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
154.        
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
155.        
Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
156.        
Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
157.        
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
158.        
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
159.        
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
160.        
Almas Agradecidas -Machado de Assis
161.        
Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
162.        
Contos Fluminenses -Machado de Assis
163.        
Odisséia -Homero
164.        
Quincas Borba -Machado de Assis
165.        
A Mulher de Preto -Machado de Assis
166.        
Balas de Estalo -Machado de Assis
167.        
A Senhora do Galvão -Machado de Assis
168.        
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
169.        
A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
170.        
Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
171.        
CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
172.        
Cinco Minutos -José de Alencar
173.        
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
174.        
Lucíola -José de Alencar
175.        
A Parasita Azul -Machado de Assis
176.        
A Viuvinha -José de Alencar
177.        
Utopia -Thomas Morus
178.        
Missa do Galo -Machado de Assis
179.        
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
180.        
História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
181.        
Hamlet -William Shakespeare
182.        
A Ama-Seca -Artur Azevedo
183.        
O Espelho -Machado de Assis
184.        
Helena -Machado de Assis
185.        
As Academias de Sião -Machado de Assis
186.        
A Carne -Júlio Ribeiro
187.        
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
188.        
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
189.        
Antes da Missa -Machado de Assis
190.        
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
191.        
A Carta -Pero Vaz de Caminha
192.        
LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
193.        
A mulher Pálida -Machado de Assis
194.        
Americanas -Machado de Assis
195.        
Cândido -Voltaire
196.        
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
197.        
El Arte de la Guerra -Sun Tzu
198.        
Conto de Escola -Machado de Assis
199.        
Redondilhas -Luís Vaz de Camões
200.        
Iluminuras -Arthur Rimbaud
201.        
Schopenhauer -Thomas Mann
202.        
Carolina -Casimiro de Abreu
203.        
A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
204.        
Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
205.        
Memorial de Aires -Machado de Assis
206.        
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
207.        
A última receita -Machado de Assis
208.        
7 Canções -Salomão Rovedo
209.        
Antologia -Antero de Quental
210.        
O Alienista -Machado de Assis
211.        
Outras Poesias -Augusto dos Anjos
212.        
Alma Inquieta -Olavo Bilac
213.        
A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
214.        
A Semana -Machado de Assis
215.        
Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
216.        
A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
217.        
Esaú e Jacó -Machado de Assis
218.        
Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
219.        
História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
220.        
A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
221.        
Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
222.        
Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
223.        
Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
224.        
A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
225.        
Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
226.        
As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
227.        
O LIVRO D'ELE -Florbela Espanca
228.        
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
229.        
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
230.        
Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
231.        
A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
232.        
Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
233.        
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
234.        
A Bela Madame Vargas -João do Rio
235.        
Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
236.        
Cinco Mulheres -Machado de Assis
237.        
A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
238.        
O Cortiço -Aluísio Azevedo
239.        
RELIQUIAE -Florbela Espanca
240.        
Minha formação -Joaquim Nabuco
241.        
A Conselho do Marido -Artur Azevedo
242.        
Auto da Alma -Gil Vicente
243.        
345 -Artur Azevedo
244.        
O Dicionário -Machado de Assis
245.        
Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
246.        
A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
247.        
AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
248.        
Cinco minutos -José de Alencar
249.        
Lucíola -José de Alencar
250.        
Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
251.        
A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
252.        
A Alegria da Revolução -Ken Knab
253.        
O Ateneu -Raul Pompéia
254.        
O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
255.        
Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
256.        
A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
257.        
Noite de Almirante -Machado de Assis
258.        
O Sertanejo -José de Alencar
259.        
A Conquista -Coelho Neto
260.        
Casa Velha -Machado de Assis
261.        
O Enfermeiro -Machado de Assis
262.        
O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
263.        
Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
264.        
A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
265.        
Poemas -Safo
266.        
A Viuvinha -José de Alencar
267.        
Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
268.        
Contos para Velhos -Olavo Bilac
269.        
Ulysses -James Joyce
270.        
13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
271.        
Cícero -Plutarco
272.        
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
273.        
Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
274.        
As Religiões no Rio -João do Rio
275.        
Várias Histórias -Machado de Assis
276.        
A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
277.        
Bons Dias -Machado de Assis
278.        
O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
279.        
A Capital Federal -Artur Azevedo
280.        
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
281.        
As Forças Caudinas -Machado de Assis
282.        
Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
283.        
Balas de Estalo -Machado de Assis
284.        
AS VIAGENS -Olavo Bilac
285.        
Antigonas -Sofócles
286.        
A Dívida -Artur Azevedo
287.        
Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
288.        
Uns Braços -Machado de Assis
289.        
Ubirajara -José de Alencar
290.        
Poética -Aristóteles
291.        
Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
292.        
A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
293.        
Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
294.        
Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
295.        
Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
296.        
Via-Láctea -Olavo Bilac
297.        
O Mulato -Aluísio de Azevedo
298.        
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
299.        
Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
300.        
A Pata da Gazela -José de Alencar
301.        
BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
302.        
Vozes d'África -Antônio Frederico de Castro Alves
303.        
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
304.        
O que é o Casamento? -José de Alencar
305.        
A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht
306.        
A Casa Fechada -Roberto Gomes Ribeiro
307.        
As Asas de um Anjo (Comédia) -José de Alencar
308.        
Béatrix -Honoré de Balzac